É importante entendermos que existem duas situações que podem ocorrer no pós-parto e que geram muitas dúvidas. A conhecida depressão pós- parto e o que chamamos de Baby Blues.

O baby Blues é muito comum, esperado e acomete cerca de 80% das puérperas. Seu início costuma se dar alguns dias após o parto, podendo durar cerca de 45 dias. Sua maior incidência se dá nas duas primeiras semanas de vida do bebê. Ele é caracterizado por alguns sentimentos como por exemplo tristeza, irritabilidade, alterações bruscas de humor e cansaço.

Além de estar relacionado com as alterações hormonais decorrentes do parto, o baby blues está totalmente ligado com aspectos psicológicos decorrentes do nascimento de um bebê e, claro, de uma mãe. Ao se tornar mãe, a mulher se depara com a maior responsabilidade de sua vida, que é cuidar de outra vida. Junto com isso é bombardeada de informações, palpites, visitas, falta de ajuda, privação de sono, mudança de rotina, choro do bebê, etc. Obviamente tudo isso gera muita pressão e tensão, levando a uma grande alteração de humor.

Uma mulher com Baby blues não precisa de tratamento e nem de medicação mas sim de uma boa rede de apoio e de cuidado. Ela precisa se sentir segurança para poder maternar, ser ouvida e compreendida, ter pessoas que a ajude com os cuidados da casa, precisa de tempo e espaço para ir se vinculando e entendendo seu bebê. A psicoterapia no pós-parto também é uma ótima aliada para ajudar a lidar com essa fase delicada.

Já a depressão pós-parto é um transtorno grave e que precisa de tratamento e medicamento, ou seja, é necessário o acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Ela acomete cerca de 20% das puérperas e seus sintomas podem ter início já na gravidez, no pós-parto imediato ou evoluir de um baby blues, podendo surgir até os dois anos e meio do bebê. É um quadro clínico, com um conjunto de sintomas que não tem a ver com uma tristeza patológica, a tristeza é um efeito secundário da depressão e não a causa.

A depressão pós-parto está relacionada a alterações hormonais, psicológicas e fenômenos contextuais, como por exemplo: a exaustão, quanto mais exausta está a mulher maior risco dela deprimir. Além disso, devemos estar atentos a alguns fatores de risco que podem contribuir para seu surgimento, como por exemplo:

  • alta ansiedade
  • estresse elevado
  • presença de outros episódios de depressão durante a vida da mulher
  • familiares próximos que apresentam ou já apresentaram transtornos depressivos
  • evento traumático
  • uso de álcool e drogas
  • dificuldades no relacionamento conjugal
  • pouca rede de apoio

É importante esclarecermos que somente uma avaliação profissional é que diagnosticará a presença de um transtorno depressivo. Portanto, a qualquer desconfiança de que a puérpera não está bem, aconselho não hesitar procurar por ajuda. Quanto mais cedo for tratado, mais rápida e melhor a evolução. Inclusive, hoje em dia, já existe o que chamamos de pré natal psicológico que ajuda muito no sentido de prevenir o surgimento de uma depressão pós-parto.

Por isso, vale ficar atento a alguns sintomas comuns da depressão pós- parto:

–     Irritabilidade

–      Mudança brusca de humor (sempre ligados a tristeza)

–      Indisposição/ esgotamento

–      Tristeza profunda/ choro excessivo

–      Desinteresse pelas atividades cotidianas

–      Sensação de incapacidade de cuidar do bebê

–       Falta de energia/ exaustão

–       Sensação de culpa e inadequação

–       Pensamentos obsessivos

–       Medo de causar mal ao bebê

–       Pensamentos suicidas (em casos bem graves)

 

Ao ser diagnosticada com depressão pós-parto não significa que a mulher deva ser afastada do seu bebê, pelo contrário, mas ela precisará de uma boa rede de apoio. Uma mulher com depressão, na maioria dos casos, não tem energia para estimular e cuidar do bebê, podendo até gerar um atraso no seu desenvolvimento. É extremamente importante ter pessoas por perto que a ajudem na estimulação do bebê até ela estar recuperada. Com isso ela terá a oportunidade de ser cuidada, tirando o peso de ser a única responsável pelo seu filho diminuirá as chances prejuízo no desenvolvimento do bebê.

São raríssimos os casos em que a mãe deve ser afastada do bebê, somente quando a depressão está em um grau muito elevado havendo pensamentos suicidas ou infanticidas. E mesmo assim, é aconselhado que haja o convívio entre mãe e bebê com uma supervisão, até que esta mãe saia do que chamamos popularmente de “surto”.

Finalizo dizendo que uma mãe em depressão não rejeita e nem deixa de amar seu filho, ela simplesmente não tem energia para cuidar dele, ela precisa ser cuidada, ela precisa de ajuda para poder voltar a ter energia para cuidar de seu filho. Ela sofre e se sente culpada por não estar conseguindo cuidar do seu filho.

Paula Morano – Psicóloga Perinatal

CRP: 06/81332

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