Uma das maiores queixas que ouço de casais que estão no puerpério é como a relação conjugal está difícil. A realidade é que é quase impossível um casal não passar por uma crise após a chegada de um filho, sobretudo nos seus primeiros anos de vida do bebê.
Por que isso acontece?
O casamento até a chegada de um filho está pautado em regras que não incluem o bebê. Ele funcionava de uma forma que, por maior resistência que se tenha, não funcionará mais. O casal precisará mudar sua dinâmica e isso pode ser muito sofrido e frustrante. O bebê impõe regras e ocupa espaços que antes não existiam (o espaço físico da casa muda, algumas atividades tem que ser deixadas de lado, o tempo usado para o casal passa a ser usado para o bebê, o sexo muda, o sono muda, a relação com o filho mais velho fica diferente). Do dia para a noite, o casal se vê obrigado a rever e mudar sua rotina sem terem sido preparados para isso, é um choque. Portanto é totalmente natural que eles se sintam desconfortáveis, estressados e surjam as brigam.
Porém, existem alguns fatores que devemos cuidar para que essa fase não se torne mais sofrida:
– Quando a mulher tem pouca rede de apoio.
– Quando a família de origem (pais, sogros) tendem a julgar, impor e criticar ao invés de respeitar, compreender e apoiar.
– Quando não há uma divisão de tarefas democrática entre o casal e a mulher se sente sobrecarregada e solitária.
– Quando o casal ou um dos dois não está conseguindo passar pela transição, resistindo às mudanças, tentando manter a sua rotina antiga.
O casal no puerpério precisa de um diálogo profundo sobre seus papéis, suas tarefas e que tipo de estrutura familiar se está construindo. Esse período de adaptação, por mais difícil que possa parecer, é muito bem vindo para eles se redescobrirem como casal e pessoas. Ao passarem juntos por essa fase, abertos a transformações e mudanças, se colocando no lugar do outro, dialogando, expondo seus sentimentos e dificuldades, buscando informações e ajuda quando necessário a tendência é que essa fase seja menos sofrida e que colham bons frutos no futuro. Nada e ninguém será como era antes, mas podem ser ainda melhor.
Paula Morano – Psicóloga Perinatal
CRP: 06/81332

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