A vida é cheia de fases de transição. Elas podem ser eventos naturais, como por exemplo a mudança da infância para a adolescência, da adolescência para a fase adulta e da fase adulta para a velhice; a menarca e a menopausa. Poder ser também eventos marcantes que vão ocorrendo no decorrer da vida, como por exemplo uma grande mudança, um novo trabalho, um casamento, uma doença ou uma morte na família.

Toda fase de transição é carregada de estressores mesmo quando a mudança é positiva e esperada, afinal sempre que se ganha algo se perde também.

Qualquer que seja o período de transição que uma pessoa esteja passando o luto está presente justamente por essa sensação de perda e de vazio do que se perde mesmo quando se ganha.

E qual relação isso tem com o puerpério?

O puerpério é uma fase de transição extremamente profunda, uma das mais profundas que uma mulher pode vivenciar. Ele é tão transformador que tem a capacidade de modificar até mesmo a identidade da mulher.

Nesta fase, a puérpera entra em contato com sentimentos e questionamentos sobre seu passado e seu futuro. É um momento onde vem a tona muitas lembranças do passado (como foi a infância, como era a relação com os pais, quais seus sofrimentos e alegrias), reflete-se sobre sua trajetória de vida até o momento atual e se busca novos significados para a vida. Ela passa a ver o mundo e a sí mesma de uma outra forma. A sua vida mudou por completo e agora ela precisa se redescobrir. Todos os seus papéis são questionados e, muitas vezes, transformados. Quem ela foi? Quem ela é? Quem ela quer ser?

O puerpério é uma fase cheia de angústias e ansiedades. É um processo de busca por uma nova identidade, a tentativa de juntar e dar sentido para todos os papéis já existentes com esse novo e poderoso papel, ser mãe. É uma fase que precisa de respeito e de cuidado. A mulher precisa se permitir entrar em contato mais profundo com ela mesma para se redescobrir.

Aliado a todos esses sentimentos em relação a si mesma, a mulher ainda terá que se haver com o cansaço físico e mental de cuidar de um bebê que depende totalmente dela e ao qual ela ainda está conhecendo. Há uma mudança de rotina, de prioridades, surgem privações e sua relação conjugal e social são extremamente afetadas.

Então, por mais que a sociedade nos passe uma imagem da maternidade linda e perfeita, não é bem assim. Quanto mais preparada a mulher estiver para uma maternidade real, menos idealizada, mais chances ela tem de vivenciar este momento de uma forma mais equilibrada e saudável.

 

Paula Morano – Psicóloga Perinatal

CRP: 06/81332

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